sábado, 8 de março de 2008

urbs, urbis 4: metafísica

Somos deuses domésticos e (sub)urbanos. Normalmente, o Olimpo começa na porta de entrada e termina na casa de banho. E o lar é essencialmente um pequeno sistema solar em nós próprios.

Considere-se a Lepisma saccharina no chão da cozinha. Pequeno insecto ancestral.

Metamorfose. Num segundo, milhões de pequenas patas irrompem das costas da dona de casa, essa grande centopeia metafísica.

Um gesto e tudo termina numa pequena mancha esmigalhada no chão, fóssil anacrónico, perfeitamente integrado na regulação do sistema lar: é só limpar com uma folha de papel de cozinha, amarfanhá-la, transportá-la na ponta dos dedos e deitá-la fora, com o seu recheio de 300 milhões de anos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

barroco revisitado

Bolhas no meu café:
Olhos desarrumados de uma tarântula líquida
Que destila uma leve espuma dourada:
O negro e o dourado do barroco – pensava
Que hoje o café sabe a máquina
Mas o dia sabe a metal frio.


(quadro de Brian Russel)

domingo, 27 de janeiro de 2008

terapia



És como o barro que vou moldando ao longo dos dias numa figura em tudo semelhante a ti própria.

Quero viver dentro da música, surdo ao teu olhar.

Assemelho-me a uma velha louca a desfazer lentamente uma vida inteira de camisolas dos netos.

Só existes na brancura da página.

O óleo da minha pele e a terbentina do meu hálito não fazem de mim um Van Gogh para te pintar nua.

Ofereço-me à desorientação das palavras.

És como um pedaço de merda que não sai facilmente com o papel higiénico e fica emaranhado nos pêlos do cu.

A escrita é como filas mais ou menos desordenadas de insectos secos no pára-brisas de um Rolls-Royce.

Não sei se o Van Gogh alguma vez pintou nus.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

urbs, urbis 3



Vou de A a B, de B a C e acabo de volta em A
Dias circulares, naturais como flores
Às vezes
Escolho um jazz como música de fundo
Para os meus passos
Um bom jazz de desarrumar a mente

Algures há laboratórios onde pequenos ratos tentam chegar ao queijo no centro do labirinto.


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

dia de nevoeiro


Os meus dentes são pequenos crânios
Na calvície angular de um dia de nevoeiro

Gostaria de dominar os seus anseios
No interior da psicologia da dentada

Os meus brônquios couve flor no dia de nevoeiro
Os meus anseios quando o frio aperta a sua mandíbula
E a minha responde, solidária.


segunda-feira, 23 de abril de 2007

urbs, urbis 2


É antes da madrugada como a noite eterna
E o metropolitano. É justo que o metropolitano
habite debaixo da terra. Veloz enguia mecânica
E nas margens de um rio seco rio cinzento
a luz os rostos os olhos de peixe
congestionados vítreos

Pensamentos amarrados no interior do crânio
Ninguém sabe onde acabam os tentáculos do sonho
criatura esquiva lentamente procurada. Porque o olhar
divaga longe da violência de outro olhar
E pensa: «Sou o louco coleccionador
da minha individualidade». O olhar divaga
percorre a margem desenha os limites precários
de uma liberdade: «Ainda não me comprometeram»
pensa

E o metropolitano percorre a rede de túneis
com as mandíbulas plenas de luz
Entra na galeria. Aviso sonoro
toque de alvorada. E novas ondas de luz
invadem as margens. Mais um nó adiado
no cérebro temporariamente resolvido
Em breve serão trocados olhares
talvez palavras na imensidão da luz do dia
Os interstícios sempre foram o lugar do sonho
Inocência absurda da noite


terça-feira, 17 de abril de 2007

urbs, urbis 1


(Piet Mondrian)


Viaduto onde sol e co2 entram pelo meio
da fermentação do pólen e dos insectos
Velozes carapaças de alumínio flor cinza
do vórtice dos escapes. A luz é azul
árida como um enorme deserto de sal
ou de vidro. O asfalto é o veículo
marginal da erva e dos malmequeres
Polinização amarela e cinzenta

Quem passa é oprimido pelas alergias
a arranhar lentamente a faringe
ou pelos brônquios a destilar um minúsculo
orvalho negro. Aqui o trânsito é
a possível sinfonia do cancro ignorado
Outrora os construtores das maravilhas
respiravam pó e cal até à morte
junto às grandes minas da humanidade
A grande maravilha do mundo
onde tudo é o adubo de tudo
e do tempo desordenado e milenar
da memória

Descer o viaduto subir o viaduto
erguer este império como um castelo de areia suja
– Alguma beleza vulnerável às marés do tempo


sábado, 7 de abril de 2007

primavera 10: casa


(foto por dubaidavid)


As raízes da árvore enterram-se profundamente
na terra como se procurassem a origem do tempo
junto ao cimento ao tijolo da casa incompleta
da casa que desfere um horizonte rizomático

Não se pode olhá-la sem provar o sabor
da mandrágora o sabor vegetal da terra viva
E a erva que silenciosamente cresce
A vida rodeia a casa à velocidade do pensamento
cálice para recebê-la odre elaborado por quem
corta a pedra e mistura o sol
e o cimento e a alvenaria

Casa de grandes raízes solares casa que bebe
lentamente as mãos e o tempo
O mesmo que brilha no suor
de quem ergueu as pirâmides do mundo

E a casa ao sol é uma grande árvore humana


sexta-feira, 6 de abril de 2007

primavera 9: janelas


(René Magritte)


O poeta de olhar limpo vê
vê o mundo a partir da janela exacta da realidade
a única janela honesta

A primavera invade o mundo suburbano
bandos de pássaros formam um halo vivo em torno das vivendas
os terrenos e as indústrias familiares são percorridos
pela luz e pelos chocalhos de um rebanho de ovelhas
que pasta junto aos condomínios

A lucidez de tudo isto fere os sentidos
ou talvez haja uma certa desordem
oculta nas raízes do sangue e das árvores

Mais tarde virão as palavras
contra o pastor que guia o seu rebanho através do cimento e da erva
dos subúrbios contra as crianças que gritam e correm no asfalto
dos fins de semana contra o marulhar distante do trânsito e do vento
sobre as copas das árvores. Uma nova janela se abrirá sobre o mundo
tudo será como nas primeiras primaveras quando a linguagem era nova
quando os homens e a terra respiravam em uníssono junto às nascentes
da água e da luz quando o pensamento era tão simples como um pássaro

Mais tarde o poeta dar-se-á conta
de que as duas janelas são a mesma ou uma terceira
a um tempo honesta e verdadeira


primavera 8: palavras


(René Magritte)


A luz amadurece, limpa a chuva
Atrás de si permanece uma memória fugaz de nuvens
E a luz limpa o olhar sobre as coisas

Atrás de si permanece uma página branca
Mas todas as janelas do mundo são quebráveis
Apenas a luz é absolutamente sólida

E sobre a página permanece o estilhaçar das palavras


segunda-feira, 2 de abril de 2007

primavera 7: poema


(René Magritte)


Uma página em branco. Vazio solar. Silêncio
harmonioso e universal. Horizonte
pleno em pura luz exterior no olhar
de quem primeiro lhe pesa o grão
Seara árida janela translúcida
e opaca sobre o mundo sobre
o poeta que respira e saboreia a luz

E no exterior de tudo: a contínua eclosão
da primavera a revolução imóvel das árvores
as marés nocturnas nos canais plenos de sol e de lua
a fulguração inacessível dos montes e do azul

A fulguração íntima daquele que está muito longe do mundo
na distância exacta de uma página: o poeta
E o mundo pesa-lhe os ombros ausentes
a primavera invade incendeia-lhe os sentidos
e muito longe as palavras
Algo que se esquece algo que se relembra
à luz do sol e das lâmpadas
uma velocidade sanguínea uma travessia
no deserto. As palavras

O poema que vem de longe. Mundo contra o mundo
Primavera concêntrica de palavras obscuras
talvez luminosas talvez áridas
Silenciosas iniciais


domingo, 1 de abril de 2007

poema determinado

Uma grande página em branco é nada
Página fácil facilmente percorrida
pelas patas das formigas pela tinta
quase branca das palavras
abraçadas pela luz

Branco dúctil fecundo domesticado
aliado do mais complicado exercício
do livro mais insuportavelmente aberto
do poema obscuro do poema claro
do poema das palavras

Branco simples branco olímpico
Espírito exacto enquadrado em gestos apolíneos
em carne extremamente lúcida
esclarecida trabalhada determinada
Espírito feito de todo o pequeno nada
da justa justíssima medida


quinta-feira, 29 de março de 2007

primavera 6: fecundidade


A terra de ancas muito largas perde-se no desejo
de braços de chuva e luz percorrendo o seu corpo
até à fonte, corpo de cântaro reclinado,
lento horizonte de luz húmida cor de barro

É o trabalho minucioso de mãos que lavram o sol
em forma de mulher a partir do sangue, da seiva,
do orvalho derramado sobre o verde grito
dos pássaros, da flor que sonha obliquamente

a nudez do cálice. Todas as mãos são o cântaro
quando desencadeiam a terra pela semente,
quando remexem o primeiro arco-íris da estação,
quando se aprofundam definitivamente no silêncio

do mundo. E a mão que semeia a chuva nos campos
é a mão de concha muito funda pela vida e pela morte,
mão que acaricia as ancas dos homens, das mulheres,
mão que sangra o próprio sexo muito perto da terra


segunda-feira, 26 de março de 2007

primavera 5: água


O dia trouxe aos homens a evidência da água
em lagoas – lâminas espraiadas contra céu e silêncio
folhas simples feitas para povoar a suave alegria do mundo
O livro mais aberto à face do tempo onde
à tona de páginas em branco todos olhavam
sem ver onde acabava o corpo imenso

Até ao dia alto iluminar decisivamente as lagoas no mundo
e a água ensinou o espelho aos homens

Conheceram a água a árvore o céu a terra e os animais da terra
e diziam: «Tu és água árvore céu terra animal»
e já não eram do próprio corpo
Conheceram os outros homens conheceram-se como homem e mulher
e diziam: «Tu és homem tu és mulher»
e já não eram do próprio corpo

Junto à água dizia-se o primeiro poema do mundo


sábado, 24 de março de 2007

primavera 4: pássaro


(Joe Moorman)


Olhai como a terra engendra o pássaro
quando alguém afasta a morte com os braços
com as mãos feitas dentro da morte para cima
Logo se ramificam os ossos a partir da boca
das pontas dos dedos para cima
para baixo enterram-se extremamente na vida
de alguém nu contra o grande frio da terra
Alguém só de osso alguém que abraça a morte lentamente
no instante em que o pássaro se vai tornando possível

E os olhos muito cegos de alguém que não vê a luz florescer
fervem permanentemente nesse instante bem dentro da terra
da vida
comovida na sua própria verticalidade
A terra agora quente contra as plantas dos pés
quando alguém afasta permanentemente a morte
e nasce nos ossos uma nova carne novas vestes
– a vida

Olhai a vida a vir de muito fundo do sangue da luz
a terra a inventar silenciosa o pássaro a cada instante

Alguém está muito em pé pela terra e luz absolutas
quando segura nos dedos nos ossos renascidos das pontas dos dedos
pelo meio da floresta da boca
o primeiro grito do primeiro pássaro do mundo


sexta-feira, 23 de março de 2007

primavera 3: sagração

poema para Le Sacre du Printemps de Igor Stravinsky

Há na primavera o êxtase de estátuas
enamoradas pelo seu próprio regresso ao grande barro
da terra – quando a luz recomeça e é preciso reaprender as coisas
os lugares as árvores os homens – e tudo cai
em adoração ao deus da primavera

É quando os homens amam muito depressa a sua carne
amam dolorosamente o destino que os une entre si
amam a terra e o fruto da terra e o deus no fruto da terra
e é por ele e para ele que lutam a cada vinda da luz
e todas as tribos se juntam em ritual

As mulheres dançam nas aldeias
dançam comovidas o seu mais íntimo segredo – o sangue
menstruado em honra da grande beleza circular das coisas
Formam um grande círculo perante os homens as tribos os anciãos das tribos
– dançam o olhar do deus aberto nos corações

E no centro – o grito da mais pura
– a escolhida
e os anciãos prestam lenta homenagem à terra
e o deus começa a ser apaziguado contra os homens
temerosos pelo fruto

É esta a escolhida – a que segura o fruto da terra
algures oculto na pureza da sua carne
É ela a primeira e última árvore da estação

Em seu redor todas as raparigas cantam
e glorificam a juventude
Os anciãos pensam na árvore mais antiga do mundo
invocam o fogo dos antepassados – o fogo que consome a carne
o enorme fogo redentor
da jovem árvore acesa junto ao amor do deus

E a primavera arde circularmente no coração dos homens



(encenação: Bejart)

primavera 2: explicação

Árvore: floresta: primavera
Copas de árvores unidas e dispersas na sua condição
de cérebro desmontado ao longo da terra
do poema
Troncos: braços que desencadeiam chamas por cima
e por dentro dos ramos de dedos: plexo
probóscide da terra: copas de árvores
em chamas
Troncos: como braços que seguram punhos rugosos
recortados contra o infinito: floresta de punhos que sonham
a partir do pulso a diluição do verde
em azul em branco: verde cada vez mais alto das chamas
Nuvens: fragmentos sinais de fumo sonhos
recortados contra o crânio interior da abóbada celeste: sonhos
sonhados pelas copas das árvores da
Primavera: eterna paisagem de sonhos colados
ao crânio colados ao cérebro colados ao longo do
poema



(Salvador Dalí)

quarta-feira, 21 de março de 2007

primavera 1: arte poética

O poema ergue os sovacos ao vento
e pensa a terra úbere de primavera
pensa o poeta embriagado no leite
da terra
na vigorosa flor de axila descoberta

O poeta de crânio cingido ao ramo
como folha desmaiada
recebe o vento em sua boca
e canta –
canta a eterna bebedeira da terra

A poesia está no tronco
da primavera



(Salvador Dalí)

terça-feira, 20 de março de 2007

fábula

Era uma vez
a pureza absoluta de mãos feitas para a cegueira

– porque tudo é impuro
mesmo a linguagem pura

da luz

do vento

da poeira


do poema de mãos intocáveis


segunda-feira, 19 de março de 2007

poema resignado

Uma grande página em branco é tudo
Página imaculada página com um sol todo de luz
pura e incrivelmente baça
Não o branco lixívia o branco
anterior ao verbo inocência
mas o branco quedo o branco
quase lobotomia

Gestos de não pensar não agir não fazer
Existência de oferta resignada ao jogo
complicado dos dias
Existência com uma venda luminosa
a apertar o crânio
e um enorme imenso orgulho
mineral

Branco diamante da idiotia parcialmente acordada
acordada sazonalmente
logo se põe em grande azáfama à procura
de horizontes inúteis invisíveis
Página aberta coberta de saliva da boca em hibernação
indecisa

Carne feita de cansaço olhar bovino
olhar de felino encandeado
Analfabetismo meticulosamente preparado
Dias debruçados sobre nada e coisa nenhuma
O único alimento seria é
a eternidade


domingo, 18 de março de 2007

espantosa novidade

poema para Alexandre O'Neill

As pessoas levantaram-se naquele dia
para saber dizer apenas uma coisa
Dizem-na todos os dias lentamente atravessada
na passagem muito lenta do tempo
As pessoas aprenderam a dizer apenas uma coisa
e dizem-na levantadas a olhar para a frente
Dizem-na em cima dos que morreram a falar
para poderem falar
E a mesma coisa é dita há muito muito tempo

As pessoas nascem muito depressa e muito depressa
aprendem a saber dizer somente aquela coisa
que pronunciam muito lentamente mal se levantam
Afinal verifica-se que as pessoas também morrem
muito depressa
E morrem de uma morte que trás consigo a espantosa novidade
da mesma coisa que tem de ser dita
por quem ainda se pode levantar

As pessoas levantaram-se naquele dia
e quem não se levantava era mudo ou doido
ou amnésico ou terrorista


terça-feira, 13 de março de 2007

voltas a mote pré-fabricado 3

há estátuas impossíveis no limite do tempo
enormes
como resgate ao efémero
do pulsar da carne
em pedra

é onde permanece o susto
comovente
que nos traz em gestos milenares
sem destino

é onde permanece
oculta
a expressão muito antiga de uma criança
em variações de granito

é onde
permanece
(quando já nada pode permanecer)
um halo de areia viva

testemunha da enigmática erosão das coisas

quinta-feira, 8 de março de 2007

interruptio

A poesia é a arte da feliz combinação das palavras, tendo por base a liberdade e prisão implícitas a tudo o que é humano. Elas mesmas, liberdade e prisão, enformam o poema em consequência da liberdade e prisão do próprio poeta. Convém notar, antes de mais, que o poeta é humano, e que o humano muitas vezes se assemelha à formiga, a sociedade ao formigueiro, a história ao progresso temporal do formigueiro – e por aí em diante. Estamos sujeitos a um complexo de condicionantes. Há mesmo quem diga que a liberdade não passa de uma prisão muito complexa onde o humano toma orgulho na sua condição de formiga livre. Segundo esta ideia, será liberdade tudo aquilo que não pareça ser prisão: e assim é também na poesia.
A poesia, essa arte combinatória, diz o que de outra forma seria indizível. Mais do que isso: é, em termos históricos, a tentativa de dizer o indizível: motivo e fracasso originais de toda a poesia. Neste aspecto assemelha-se à religião. Na Antiguidade, afirmava-se que o aedo era o intérprete da divindade, e que o seu canto lhe era sugerido por acção directa do deuses. Esta ingenuidade persiste até aos nossos dias. A poesia moderna participa de um vestígio de superstição: é preciso saber jogar com o que o humano costuma ter dificuldades em aceitar ou compreender. Talvez por isso Cesariny falasse em prestidigitação. O poeta ele mesmo vê-se no meio deste jogo, e pode muito bem suspender uma eventual crença na razão humana (ou em tudo mais). Subitamente, tudo se torna relativo, precário, obscuro. Outras vezes, pelo contrário, tudo é extremamente simples e diáfano, quase sobre-humano. A poesia é uma interrupção da lucidez – mas conseguida de forma mais ou menos lúcida. A poesia moderna interrompe a lucidez de forma extremamente lúcida. É esta a sua ética.

Teses:
1) A poesia é uma actividade extremamente existencial: consiste na reflexão da formiga sobre a sua própria liberdade, a todos os níveis.
2) A poesia é parte integrante da complexa imperfeição humana: seres perfeitos não teriam necessidade de poesia. Platão foi o primeiro a notá-lo.
3) A poesia interrompe, pondo em causa, o fluxo “natural” de ideias e sentimentos. É um mecanismo de possibilidades.
4) A interrupção, enquanto carácter da poesia, é um jogo de expectativas, das quais o poeta é intérprete e participante. O poeta joga, o poeta brinca com o humano.


terça-feira, 6 de março de 2007

o regresso


(Francisco Goya)


está para breve...